Vazio – Primeiro Capitulo-

Aí está para vocês o primeiro capitulo do livro Vazio, por Demétrios Miculis.

Ele já está a venda e pode ser encontrado clicando AQUI.

Boa leitura!

VAZIO

 

Nós somos os Inimigos da Realidade.

Pode soar forte, e é. Deve soar dessa maneira. Se há algum rótulo, alguma maneira de nos descrever, esse é o nome, pois é isso que somos. Ninguém mais que nós merece essa alcunha. Ninguém tem a capacidade que temos, a força necessária para sermos conhecidos por tal titulo. Chega um momento que o mundo não passa de um brinquedo, uma espécie de parque de diversões, onde todos nossos desejos são realizados.

Desejos.

Tudo tem um preço.

Não somos os inimigos da realidade por nada, não simplesmente ganhamos, sem dar nada em troca. Somos aqueles que não aceitaram simplesmente sentir o Vazio, mas aqueles que começaram a usar essa força, e é claro, ser usado por ela.

Podemos simplesmente realizar os desejos que quisermos, é assim que funciona. Você tem um desejo, ele se realiza. Seu desejo é mexer coisas com a força da mente? Pois você consegue. É transar com aquela atriz? Você consegue também. É voar? Sim, porque não?

Mas sempre é cobrado um preço, e o preço nunca é barato. A cada vez que você realiza um desejo, outro aparece no lugar, o Vazio cresce, lhe obriga a fazer coisas, todas as coisas. Desde  inofensivas curiosidades como algumas fantasias sexuais, como fatais desejos de raiva e ódio. E você faz todas elas, você sacia aquele Vazio que cresce dentro do seu intimo. Lá dentro, lá no fundo, todos nós temos esse Vazio, mas só poucos tem a capacidade de usá-lo.

Acredite… Não queira.

Uma vez que você toma conhecimento, ele não para. Ele cresce, como um câncer. No começo ele parece bem amigável, te da tudo que você quer em troca de um cigarro, de uns 160 quilômetros por hora… Depois você já começa a ir para um lado mais escuro, desejando coisas que não deveria, como por exemplo, transar com o vizinho ou a vizinha, mesmo que ela seja do mesmo sexo que o seu. Já está estranhando? Piora.

Estupro, assassinato, esquartejamento… A lista acaba em suicídio. A maioria de nós se mata em um ponto. Inimigos da realidade… Grande piada. Somos apenas inimigos de nós mesmos, pobres idiotas que pensam que são imortais, heróis, deuses… O mais próximo que podemos chegar de um Deus é o julgamento, por todos nossos atos hediondos.

Isso é ter o Vazio atuando em você. Isso é ser um inimigo da realidade.

E para que vocês não trilhem esse caminho, vou lhes contar a historia de Erika. Uma garota que teve seu encontro com o Vazio. Aí sim, vocês terão uma ideia do que estou dizendo… Acredite, quando eu acabar, você irá olhar para si mesmo, duvidar de tudo que eu falei, mas depois vai agradecer por estar vivo. Mesmo que acredite ou não na historia que vou lhe contar.

Era uma noite como qualquer outra…

 

Erika era uma garota como todas as outras, tinha sua vida, seus problemas, seus hobbies e seus gostos. Não era nada excepcional, mais uma garota mediana em meio a um mar de pessoas medianas, sem nada a acrescentar no mundo nem a retirar. Não podíamos dizer que ela era feia, nem mesmo bonita, ficava naquele tipo de beleza que você da de ombros, sem querer medir, chama de bonitinha ou ajeitada. Ela era branca, olhos azuis e loira, não chegava a ser gorda e nem passava perto de ser magra e tinha um péssimo conhecimento de estética, em outras palavras, ela não conseguia ser atraente. Tinha um sotaque sulista que não ajudava em nada e um sorriso fino que ninguém entendia. Não preciso dizer que ela não tinha muitos amigos.

Haviam se mudado para a cidade há poucos meses, começo de ano. Erika foi matriculada em uma escola particular, cheia de pessoas que já se conheciam, já haviam formado suas “panelinhas”, seus pequenos círculos de amizade. Erika era deslocada de todo aquele ambiente, se tornando apenas uma nerd em que alguns interesseiros se apoiavam para trabalhos em grupos, copiar os deveres de casa e ajuda com cola nas provas.

Mas ela não era nerd, na verdade, ela não era muito esperta também.

Erika apoiava o rosto nas duas mãos, cotovelos sobre a mesa, em uma lanchonete de esquina. Encarava um casal de namorados que lhe contava uma história, uma história estranha, sobre um começo, sobre um vazio…

 

“Desde o inicio da criação, existe um vazio perpetuo, que infunde toda a existência. Esse Vazio é a sombra de uma luz, já que toda luz produz uma sombra de força equivalente ao seu brilho. Quando o primeiro homem surgiu na Terra, o Vazio infundiu-se em sua alma, criando nele desejos de ser e ter, de sentir e criar. O criador do homem não lutou contra esse vazio, querendo tira-lo do ser humano, pois sabia da lei da ação e reação e considerou essa sombra necessária. Então o criador, notando os anseios do homem, criou a mulher para satisfazê-los. Entretanto, o Vazio também se infundiu à mulher e, a partir daquele momento, em todos os seres humanos que passariam a existir.

Então veio o filho do primeiro homem e seu irmão. Ambos cobiçando a aceitação e orgulho do pai. O Vazio fez sua parte e aumentou o desejo de cada um, um deles era bom, o outro era mal, dessa forma duas manifestações diferentes do mesmo desejo começaram a disputar um pequeno jogo, onde nenhum sairia vencedor, mas o Vazio iria aumentar ainda mais sua força e sua influência.

O filho bom ganhava cada vez mais a aceitação do pai, assim como o orgulho do mesmo. Movido pela inveja e pelo seu desejo mais intimo, ele matou seu irmão, derramando o primeiro sangue do homem na terra. Uma historia semelhante conta que o irmão morto continuou bom mesmo depois da morte e, alguns ainda dizem, que ele perdoou o assassinato. Na historia verdadeira, aconteceu o contrario. Seu desejo de vingança nos últimos momentos de sua vida foram tão fortes, tão poderosos, que uma maldição caiu sobre seu irmão. Certo livro diz que essa maldição foi dada pelo criador, mas isso não é verdade. Foi o Vazio, esse mesmo vazio que todos nós carregamos em nosso interior, esse buraco que nunca é preenchido, que lhe deu forças para realizar o seu desejo.”

 

Erika encarava o homem, que era o contador da historia, um rapaz de pele morena, cabelos negros e curtos, uma fisionomia incomum nessa cidade. Ele já tinha idade para ser seu pai, assim como a mulher ao seu lado, com um rosto fino, pele clara e cabelos negros, na altura do queixo. Ambos tinham sotaques diferentes, uma forma de falar que Erika não conhecia, mas acreditava que eram de outros países. A mulher, achava que era francesa, o homem, ‘pro rumo do oriente médio’.

__Qual é seu desejo? –disse a mulher, com um ar compreensivo- Aquele que você mais sonha em realizar?

__Unh… –Erika refletiu por um momento, desviando o olhar com um pouco de vergonha- Conhecer o Linkin Park. Eles são demais!

__Não… Isso é simples demais. –o homem ajeitou a leve jaqueta de couro marrom- O que você realmente deseja. Pode ser algo pitoresco, não importa. Apenas diga o que realmente deseja.

Foi nesse momento que Erika sentiu seu verdadeiro desejo. Era morrer como bem entendesse. E foi também nesse momento que o Vazio, que até agora aguardava em silencio, se manifestou em algum lugar de sua mente.

__Eu quero escolher como vou morrer. –disse após suspirar- Não quero morrer dormindo… Mas também não quero morrer de câncer! Nem assassinada! –riu- Na verdade não quero morrer, mas sei que uma hora eu vou ter que ir, como todo mundo vai. –coçou a cabeça, tentando não se perder em seus pensamentos- Então acho que funciona mais ou menos dessa forma…

O homem riu, se levantou e tirou um dinheiro da carteira, jogando sobre a mesa. A mulher também levantou, pegando a bolsa que estava em outra cadeira. Agradeceram a companhia e foram embora, deixando Erika sozinha.

Sozinha com seus pensamentos.

E sua coca cola.

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Sorteio do livro VAZIO, de Demétrios Miculis!

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O sorteio do livro VAZIO, de Demétrios Miculis já está no ar! Para participar, basta entrar clicar na imagem e curtir a página do sorteio e compartilhar. O sorteio será realizado dia 21/04 ao meio-dia pela pagina Curti!Sorteios do Facebook e o livro será enviado para o vencedor na segunda-feira dia 22/04 pela manhã!

 

VAZIO, NOVO LIVRO DE DEMÉTRIOS MICULIS

vazio

“Desde o inicio da criação, existe um vazio perpetuo, que infunde toda a existência. Esse Vazio é a sombra de uma luz, já que toda luz produz uma sombra de força equivalente ao seu brilho. Quando o primeiro homem surgiu na Terra, o Vazio infundiu-se em sua alma, criando nele desejos de ser e ter, de sentir e criar.”

Algumas pessoas são capazes de usar o Vazio pra realizar seus desejos.

Mas o Vazio sempre cobra um preço, sempre aumenta e na sua fome torna seu usuário dependente de realizar ainda mais seus desejos e capaz de ceder à vontade de concretizar dos mais simples aos mais mórbidos dos desejos.

Erika foi ensinada a manipular o Vazio na esperança de que sua vontade fosse capaz de superar a força de seu algoz, Eduard, que deseja exterminar a humanidade.

Seu desejo? Escolher a forma como morrer.

Ainda que imortal, o Vazio cobra o preço por cada desejo e Erika começa um caminho degradante onde suas vontades ficam cada vez mais sombrias.

Uma historia de auto conhecimento, busca pela verdade, luta contra a própria natureza humana e seus desejos.

O Vazio, ao tentar ser completo, sempre cresce.

Meu segundo livro publicado através do Clube de Autores. Mais uma vitória e mais uma história para você leitor poder apreciar. Levei três anos para concluir essa obra que, ainda que eu seja suspeito para dizer, ficou melhor que meu primeiro livro, ainda que sejam estilos diferentes. Procurei no Vazio criar uma história densa, madura e interessante, com personagens bem caracterizados e um controle de narrativa que permita ao leitor seguir seu próprio ritmo, seja a leitura longa de dezenas de paginas ou apenas algumas, o leitor não ira se perder na história com facilidade.

Espero que os leitores encontrem no Vazio os mesmos sentimentos que tive ao escrevê-lo, que os leitores possam sentir e cada pagina a emoção da protagonista e de sua busca através da conturbada realidade do Vazio.

 

Vocês podem encontrá-lo a venda no site https://clubedeautores.com.br/book/140939–Vazio

 

Personificae agora também em E-Book

 Personificae agora também está publicado em E-Book pelo Clube de Autores.

E-Book é um arquivo de computador, um livro virtual, que pode ser lido tanto no seu computador, como em smartphones que suportam PDF, Tablets e assim por diante. O preço do e-book é 10 reais, bem mais acessível que a versão impressa.

Lembrando que essa versão em e-book não difere em nada da impressa, ou seja, tem a obra completa assim como a original. A unica diferença é que você vai poder conferir por menos da metade do preço.

Para ir a pagina onde o livro está a venda, clique aqui ou na imagem.

 O primeiro capitulo da obra se encontra no blog, para atiçar o interesse pela leitura desta obra, confira clicando aqui.

Boa leitura!

“Solidão. Pessoas no mundo inteiro a sentem. Podem estar cercadas por amigos, parentes… mas o vazio ainda está lá, e as pessoas lutam incessantemente para se livrar dele. Também existem aqueles que preferem a solidão, se sentem atraídos pela liberdade proporcionada por não ter elos fortes com ninguém. Se você fosse uma destas pessoas que buscam a solidão, o que faria se a própria surgisse para você? Usando uma linda e atraente forma feminina, e dizendo que o AMA? “Personificae” é uma história sobre desejos e sentimentos. É sobre Antony, um jovem que deseja tanto a solidão que ela assume forma humana, e demonstra um carinho especial por ele. Entretanto, a Solidão forma um contrato entre os dois, caso ele a aceite três vezes, a personificação ira sumir e após isso, Antony viverá amaldiçoado por uma solidão eterna, sem poder conhecer ou se envolver com ninguém. Antony talvez pudesse lidar com seus sentimentos eventualmente… se eles ainda estivessem DENTRO de seu subconsciente… Será que ele conseguirá fazer o mesmo, tendo estes sentimentos invadindo fisicamente sua sala de estar?”

Nova Capa, Denovo

Ai está novamente a capa nova do meu livro Personificae. Desta vez, posso dizer que estou contente com a capa de posso chama-la de definitiva. O preço continua o mesmo (que droga Clube de Autores!) mas ao menos vocês terão um pouco mais de qualidade visual em meu livro. Agora tambem com uma foto minha na aba e tal… Gostei bastante, vocês podem ver a capa clicando aqui. A imagem é bem grande, então fica ruim colocar por aqui.

Bem, simplesmente é isso. Até o proximo post.

Personificae, nova capa, novo preço.

Andei trabalhando em uma nova capa para o livro, que eu achei bem melhor, agora que pude personalizar toda a capa e não só um quadrado central. E com a nova capa veio o novo preço. O que antes era 43, agora é só 39 reais^^;

E ainda tem mais, agora ele está disponivel por outro link, outra loja:

http://agbook.com.br/book/9038–Personificae

Já que o preço é o mesmo, eu peço que tenham preferência pelo Clube de Autores, já que eu só vou poder pegar a grana quando chegar a certo montante.

http://clubedeautores.com.br/book/4688–Personificae

Personificae – Primeiro Capitulo –

Trago a vocês o primeiro capitulo do meu livro já publicado, Personificae.  Decidi publicar esse capitulo pois, já que ainda sou um escritor desconhecido, a maioria das pessoas que se interessam no meu livro não sabem como eu escrevo, ou como é a narrativa e etc… Então para vocês, o primeiro capitulo de Personificae.

Cap. I -Solidão Existencial-

Você sabe como é ser acordado por um abraço morno, um beijo suave e carinhoso no rosto e uma voz feminina bem delicada e meiga dizendo bom dia? Deve até saber… Quase todos nós temos um alguém que podemos chamar de ‘nosso alguém’. Mas e se esse abraço e esse beijo forem dados pela Solidão? Não, eu não digo isso metaforicamente, eu realmente sou acordado, quase todos os dias, pelo beijo e abraço da Solidão. Sei o que está pensando, que eu sou uma pessoa depressiva que fica escrevendo poesias e contos sobre esse sentimento tão agonizante. Bom, de certo modo você esta certo, mas eu era, não sou mais. Deixe-me explicar.

Me chamo Antony, Antony Freeman. Eu sou um cara estranho… Ok, eu sei, essa coisa de estranho, diferente, especial, etc. Já esta bem batida, então vou colocar outro adjetivo. Excêntrico. Tenho um trabalho de meio período em uma papelaria, eu sou o cara que organiza os objetos no armazém, as pessoas de lá me chamam de “cara que muda as caixas”, ninguém ainda me perguntou meu nome, com exceção do meu chefe. Trabalho apenas quatro horas por dia neste emprego, das dez horas as quatorze. Das dezoito e meia ate as vinte e três horas, eu estudo informática em uma faculdade. O resto do tempo passo no meu próprio computador jogando e baixando o que não deve. Meio Nerd, não é? Nem tanto… Para vocês se sentirem melhor enquadrados na história, vou dizer como sou, fisicamente. Alto, branco, magro, cabelos longos e negros ate as costas com duas mechas chamativas sobre o rosto fino. Tenho olhos claros, verdes quase como uma esmeralda. Sou bonito até, é o que dizem, mas não passa disso. Uso roupas… Excêntricas. Um colante preto por baixo de uma jaqueta de manga curta, com círculos cortados sobre os ombros. A jaqueta termina no começo da barriga. As calças são bege, folgadas e cheias de bolsos. Me visto estranho, não é? Assim mesmo, às vezes eu pioro e pinto o cabelo de cores exóticas que me fogem a memória.

Nessa rotina, você deve ter percebido que minha vida não é… Digamos… Muito social. Isso me tornou uma pessoa solitária, mesmo eu já sendo por natureza. Eu moro sozinho, em outra cidade da qual minha família mora e isso ajuda bastante esse sentimento. Mas isso não é lá tão importante, não mesmo. Voltando ao assunto, vamos falar sobre como eu conheci a Solidão.

Era um sábado, há algum tempo atrás. Estávamos eu e Mercedes, uma grande amiga minha, melhor não tela como amiga, você vai saber por que depois, em um café chamado “Cristal Café Point”. Era onde nos encontrávamos, sempre que dava ou quando não tínhamos mais o que fazer. Um amigo meu tinha se tornado vip de lá, e acabamos nos tornando com o tempo também. Izaac e Joey já haviam ido embora naquele momento, dias depois descobri que estavam tentando fazer rolar algum clima entre mim e Mercedes. Oh, pobres mortais… Estava sentado, folgado, com os pés sobre o resto do grande sofá vazio. Mercedes estava com o rosto apoiado em uma das mãos, entediada com um canudo na boca e uma lata de energético sobre a mesa. No momento eu esperava meu cappuccino.

__Sofrer! –disse Mercedes sem ao menos parar para pensar na resposta-

__Besteira… –respondi, com raiva da resposta dela-

__Claro que não! Sofrer é a resposta certa. Que outro motivo seria?

Fiquei pensando, enquanto encarava sua expressão curiosa. Mercedes era linda e excêntrica assim como eu. Seus olhos eram castanhos bem claros, adornados por uma leve sombra preta, seus cabelos eram curtos, quase nos ombros, pintados de rosa. Usava cinco brincos na orelha direita, um piercing bem pequeno no nariz. Era branca, com o corpo adolescente bem definido. Usava quase sempre um top preto e regatado, que mostrava a tatuagem de uma rosa no braço esquerdo.

__Sofrer… Sofrer… Sofrer… Só isso que fazemos na nossa vida Tony –sim, ela me chamava de Tony- Se não encarar os fatos, não vai poder aproveitá-la.

Serio, eu fiquei pensando neste momento. Qual o motivo da minha vida? Escrever um livro, plantar uma arvore, fazer um filho com ela? Não seria nada mal ir pra cama com ela, na verdade, eu gostava dela ate esse ponto, mas não era recíproco. Mas a resposta que ela me deu me deixou com raiva e triste ao mesmo tempo. Fazer o que? Sempre fui assim mesmo.

__Certo… Se for assim mesmo… –me levantei, sem tomar meu cappuccino- Vou sofrer em casa e sozinho. Obrigado.

__Ah, qualé Tony! Ficou chateado com isso? –ela se levantou também, tirando o canudo do energético e tomando o resto em um gole só- Não é bem assim também… Olha…

__Ah é? Então me explica… –fiquei a encarando, enquanto ela se perdia nos próprios pensamentos. Ela não agia bem sobre pressão-

__Olha, você estuda, você trabalha… Você fica no seu computador… Você tem um personagem forte naquele seu joguinho on-line… Anh… Você assiste anime no computador! Olha só! No meu não roda.

__Eu já disse que é por causa da porra dos codecs. E você não esta ajudando muito assim. Quer saber… Fica quieta, assim você não estraga mais do que já esta.

__Tudo bem Tony… Vou deixar você aqui sozinho. –ela passou bem perto de mim, indo embora do local. Jesus Cristo, se ela passasse só um pouco mais perto eu agarrava ela- Cuidado viu? Agindo assim você só vai ficar mais sozinho. Toma seu cappuccino ai.

Naquele momento que me sentei novamente, foi como se uma tonelada de chumbo se sentasse em cima de mim em seguida. Liguei meu mp3 player, ouvindo um bom trip hop. Isso me deixava mais depressivo, mas eu gostava. Meu cappuccino finalmente havia chegado, fiquei olhando aquela espuma branca, rodopiante na xícara. Respirei fundo, fechando os olhos e tomando um leve gole. Sabe quando você aproveita você mesmo por completo? Foi o que fiz, fechei os olhos, me concentrei na musica e fiquei viajando no sabor do cappuccino. Mas não durou muito, meu inferno havia começado.

__Vou me sentar aqui ta? –disse uma garota após tirar os meus fones, se sentando em seguida- Me chamo Solidão, e você?

Cabelos curtos como os de Mercedes, mas bem penteados e loiros. Tinha olhos verdes assim como os meus e uma sombra pesada nos mesmo. Havia uma tatuagem em sua face direita, um símbolo de interrogação que ia do fim do olho ate a linha da boca. Usava uma blusa vinho bem apertada, bem apertada mesmo, parecia ate uma segunda pele, estampada com correntes se entrelaçando. Um jeans igualmente apertado, o que mostrava o corpo tão bem delineado quanto de Mercedes.

__Eu sou Papai Noel. –disse de forma seca, tomando mais um gole- O que foi?

__Nossa… Você ao vivo é bem mais bonito. –sorriu tão docemente que me prendeu a atenção- Serio, me chamo Solidão, mas como você provavelmente quer um nome mais humano, me chame de Sol.

__Sol… Ok… Me chamo Antony. E como assim ao vivo?

__Orkut. Você pôs sua foto lá.

Me senti um imbecil nesse momento.

__Soube de boca a boca que você estava aqui neste café, então vim te conhecer. Eu li seu perfil… Você parece uma pessoa tão gentil. E bonita… –seu rosto ruborizou, de uma forma tão fofa que quase não resisti, mas sou desconfiado quando se trata desse assunto-

__Claro… Que boca a boca? Mercedes sai e você entra. –olhei desconfiado, quando a esmola é demais, o santo desconfia-

__Mercedes?

__Uhum… Diz ae, quem te mandou aqui?

__Ninguém seu bobo. –ela riu sem tirar os olhos de mim- Internet já é suficiente sabia?

__Unh… –analisei ela por um momento, mas a necessidade me fazia cada vez mais acreditar nela- E porque você não apareceu quando eu estava com a Mercedes aqui?

__Não é obvio? –ela se recostou no sofá, juntando as mãos em cima da perna- Pensei que ela fosse… Você sabe, sua namorada.

__Não… Só uma amiga mesmo.

Sol respirou aliviada, olhando pela janela. Eu tomei um gole do meu cappuccino e fiquei a encarando por um momento. Mesmo que fosse só uma pegadinha dos meus amigos ou mesmo uma guria aleatória que apareceu do nada, seria desperdício se eu não tentasse, ao menos, conhecer ela para, quem sabe, conseguir seu telefone ou coisa assim.

__Porque não deixou um scrap antes Sol? –sorri, tentando ser legal- Ah, não importa. Você também parece ser uma garota legal, quer alguma coisa?

__Querer eu quero… Mas será que você… Também quer? –ela juntou as mãos entre as pernas, abaixando o rosto e fazendo cara de cachorro pidão- Hein?

__Provavelmente sim…

Bom, ótimo. Me arrependo ate hoje de ter dito sim para essa pergunta. Sol se levantou e sentou do meu lado do sofá, interpretando uma garota tímida e fofa. Ela sorria para mim, aproximando o rosto do meu. Eu realmente pensei por um segundo, quem diabos era ela, mas eu disse, pro diabo quem ela seja, e a beijei. Foi bom, ótimo. Mas depois desse beijo, eu senti aquele vazio que a solidão fazia crescer muito, meus olhos encheram d’agua, mas contive as lagrimas ali mesmo.

__Ótimo! –disse ela alto e sorrindo- Sou sua Solidão bobinho. Você me aceitou por completo. Que ótimo! Agora seremos só você e eu.

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Esse capitulo é realmente só o inicio da longa jornada de alguns anos que tive ao escrever Personificae. Enquanto a historia do livro amadurecia gradativamente, eu tambem seguia o ritimo, e cada vez mais, sintia que o livro não era só mais uma coisa que eu estava criando, e sim, um marco na minha vida. Depois que comprei minha copia no CLube de Autores, reli o livro e nunca me senti tão nostálgico… Mas tão completo ao mesmo tempo. Espero que aticem sua curiosidade com esse capitulo, e caso comprem, que saboreiem as paginas e sigam tambem esse fluxo de altos e baixos que é a vida do Antony e seus sentimentos.

O livro pode ser adquirido na integra nesse link :  http://clubedeautores.com.br/book/4688–Personificae

Abraços a todos e até o proximo post.