Não há motivo

As pessoas acham que há muito a se viver, não há. Não há motivo, não há grande plano, não há nada demais, nenhum significado gigante ou algo maior que nós mesmos. A vida é simplesmente um amontoado de momentos, alguns que se repetem, alguns outros que só acontecem uma vez. Se houvesse um motivo para nossa existência, saberíamos. Quem entende que não há motivo, aproveita essa vida da maneira que lhe convêm, sem se importar se sua maneira interfere na vida de alguma outra pessoa. Os dogmas e paradigmas que foram implantados em tanta gente servem para isso, criar lobos e cordeiros, e deixar que essa piada que chamamos de existência se repita até o momento que iremos causar nossa própria extinção. Não há para que estar aqui, nesse momento, lendo isso, ou mesmo eu escrevendo isso. É uma grande piada, tudo que acontece, todo esse show de fingimento. Fingir ser adulto, fingir ser alguma coisa, fingir existir. Fingir estar feliz, fingir ser bom… Os budistas estavam certos, nada existe.

Uno Loop

Comece uma vida.

Três, dois, um.

Comece um loop.

Três, dois, um. Três, dois, um.

Desperdice sua vida.

Três, dois, um. Três, dois, um. Três, dois, um.

Eis aqui o grande mistério da felicidade.

Surge um herdeiro, mas que herança ele recebe?

Três, dois, um.

Pois ele começa sua vida.

Três, dois, um. Três, dois, um.

E então ele começa o loop.

Três, dois, um. Três, dois, um. Três, dois, um.

E ele desperdiça sua vida.

Aqui reside a maravilha oculta da felicidade.

Surge um filho, mas o que aprende dos pais?

Três, dois, um.

O filho vive sua vida.

Três, dois, um. Três, dois, um.

E encontra o loop.

Três, dois, um. Três, dois, um. Três, dois, um.

Sua vida é desperdiçada.

Aparece o incrível momento de felicidade.

Surge uma prole, mas o que ele recebe do criador?

Três, dois, um.

E a prole começa sua vida.

Três, dois, um. Três, dois, um.

E quando chega no loop.

Três, dois, um. Três, dois, um. Três, dois, quatro.

Loop?

Quatro?

Onde se encaixa?

A prole se perde, sentia que estava no caminho certo.

Três, dois, um. Três, dois, um. Três, dois, um.

E desperdiça sua vida.

Ocorre, entretanto, a magnífica instancia da felicidade.

Surge uma progênie, mas o que ela conhece do seu antecessor?

Quatro.

Me Leia!

Me leia, pois enquanto você me lê, você não só me conhece, como também se conhece.

Somos, eu e você, parceiros nesse caminho. Estamos juntos, aqui e agora, para chegar a um ponto. Depois do ponto final, do ultimo ponto final, nossos caminhos vão se separar, mas você sempre vai carregar uma parte de mim com você, e estaremos juntos para o que der e vier. E você sabe que sempre vai poder voltar o caminho e relembrar o que passamos.

É, foram bons momentos falando nisso, momentos de alegria de tristeza, de fantasia e realidade. Mas, ei! Ainda estamos aqui, vamos aproveitar o tempo juntos, afinal, para recordar do passado só precisamos voltar algumas paginas, alguns capítulos e estaremos lá, naquele momento, para podermos revivê-lo e sentir novamente aquela sensação.

Me leia, porque eu sou como você, ser humano, feito de células, feito de carbono. Tenho sentimentos e uma alma, assim como você, a nossa diferença é que foram os meus dedos que escreveram isso, mas isso é uma parte sua, uma parte de você. Assim como uma parte de mim.

De todos nós.

Seja quando estivemos naquele carro, nós dois a alta velocidade, seja quando estivemos sobre aquele prédio, ou dentro daquele outro carro, nos sentindo apenas uma maquina. Lembra quando éramos soldados em uma guerra? Da luz da lua? Da canção que cantamos após anos? Lembra da redenção? Da esperança? Ou quando estávamos acompanhando a vida daquele rapaz, sua solidão, seus amigos e seus sentimentos… Ah, tantos momentos que passamos juntos…

Espere, não passamos?

Mas então passaremos, não se acanhe, comece a ler. Me leia! O Google sabe muito sobre mim, ele e eu também já passamos muito tempo juntos, olha, esse rapaz, esse tal de Google, ele sabe onde está tudo! Como pode? Ele nasceu com esse dom, se você precisa de alguma coisa, ele te mostra. Diz meu nome pra ele, Demetrios Miculis, ele vai te dizer bastante sobre mim, até onde me encontrar.

Ai então, como tantas outras pessoas, vamos estar em carros, guerras, em pensamentos e sonhos. Vamos lá, ver a vida de outros ângulos ou de ângulo algum, vamos só reclamar dela, que tal? Para que procurar mais longe se já estamos aqui? A vida está uma droga? Ah, que se dane! Vamos dar uma escapada, sonhar um pouco, fantasiar! Vamos ser felizes e depois voltarmos para a realidade. Se o clima estiver ruim demais, vamos extravasar! Vamos reclamar dessa vida, rir e chorar, gritar e chutar! Vamos quebrar tudo e reconstruir, o que nos impede?

Então, me leia!

Mesmo que já me conheça, me leia para se lembrar de como era quando estávamos juntos. Se não me conhece, leia para me conhecer.

Quem me conhece sabe, que me conhecendo, conhece também uma parte de si mesmo.

Acho que isso vale para qualquer pessoa, conhecendo os outros, nos conhecemos.

Mas que seja, me leia!

Estrelas

Existem estrelas no céu, as admiro na noite escura.

Durante as horas negras é que podemos notar seu brilho.

Varias estrelas juntas compõe uma constelação. Mas todas elas chamam nossa atenção. Estando sozinhas ou juntas, compondo um grupo ou permanecendo como está.

Todas brilham, algumas mais que as outras, outras tão pouco que mal as vemos, outras tanto que ofuscam outras estrelas, mas todas brilham, de uma forma ou de outra.

Entretanto, uma estrela como o Sol tem em seu sistema um planeta chamado Terra, no qual existem pessoas capazes de ser e ter, capazes de amar, de se relacionar, de produzir belezas e maravilhas.

Há estrelas gigantescas, milhares de vezes maior que o sol, cujo brilho é tão forte, que seu calor não suportaria a vida ao redor. Que seu sistema é composto de planetas áridos e estéreis, sem pessoas capazes de criar e sentir, sem nem mesmo vida.

Então, não me deixo enganar pelo seu brilho, e admiro todas, sem preconceito.

Eu e você, todos nós, somos todos estrelas.