Da necessidade do novo Ciclo

handshake[1]Vemos a cada ano as mudanças acontecerem em frente aos nossos olhos. Vemos presidentes serem reeleitos, vemos, de longe, a guerra que acontece fora do nosso país e vemos de perto a guerra que acontece no nosso; a guerra ao tráfico, guerra a violência e por aí vai. O fato é que a mudança passa por nós e nos tornamos meros observadores da mesma.

Podemos dizer que quem votou no atual presidente foi parte da mudança, podemos dizer que aquele que doou 10 reais para uma causa nobre foi parte da mudança ou mesmo uma boa alma que doou um brinquedo na campanha dos correios. De fato foram agente de certa mudança, mas de qual mudança queremos realmente participar?

Um novo ano se inicia com previsões não tão animadoras no âmbito político, vemos a cada dia nosso governo, aqueles que deveriam guiar o povo para o desenvolvimento, segurando para si mesmo os espólios de uma vitória sobre a guerra que eles mesmo criaram e venceram. Chegou um momento em que tentamos fazer a diferença na urna eletrônica mesmo sabendo que são adulteradas. Acordamos em dada manhã para cumprir nosso dever cívico e o ano se inicia igual ao passado. Onde está a mudança? Onde está o novo?

O novo está, em minha opinião, no coração daqueles que desejam a mudança. Não falo da mudança no governo, nas leis, na forma de policiarmos as ruas ou na forma de punir o bandido, falo daquela mudança que ocorre em nossos corações e que transformam o ambiente em nossa volta.

De que adianta a pessoa gritar por mudança, lutar para tirar o governo corrupto quando ele mesmo não devolve o troco que recebe errado? De que adianta lutarmos por igualdade de sexo quando contratamos uma mulher pelo tamanho de seu decote? De que adianta reclamarmos dos políticos que passam por cima de tudo quando nem ao menos damos a preferência em uma rotatória no transito?

Estamos buscando a mudança nos lugares errados. Ela não existe fora de nós mesmos, nós somos a mudança que desejamos no mundo. As vezes esse discurso pode parecer filosófico demais, subjetivo, sem sentido, mas se pararmos para analisar o que realmente significa ser essa mudança, vemos que sendo a mudança, não aceitamos permanecer na mesma onda de destrato à humanidade e a sociedade. No momento que nos tornamos a mudança, nós mudamos o ambiente ao nosso redor, aos poucos, mas se cada um de nós desejasse se tornar essa mudança e desse o primeiro passo, imagine o que poderia acontecer.

Uma conscientização local, um bairro, uma pequena comunidade… Se alastra para outras quadras, aumenta até alcançar todo um distrito, uma cidade, um estado e um país. E não pense que isso é impossível, pois eu já vejo acontecendo.

Vejo pessoas que não aceitam que o mundo tenha de ser um ambiente tão hostil, tão desagradável, e trabalham para que a vida seja mais doce e boa de se viver. O bem estar social não precisa vir dos governantes, deveria, mas como não é essa a realidade, devemos trabalhar com nossas próprias ferramentas em prol de um bem maior.

No transito, de a preferência. No trabalho, seja legal e tolerante com seus companheiros. Na família, ouça seus país e filhos. No casamento, dê o braço a torcer e permita que sua mulher ou seu marido esteja com a razão. Não precisamos estar certos o tempo todo, não precisamos ser 100% o tempo todo. A metáfora do arco é perfeita para exemplificar isso; se o arco fica sempre armado, de duas uma, ou perde a força da madeira, ou a corda arrebenta de vez.

Engula o orgulho e saia da zona de conforto. É fácil apontar o dedo para o erro, criticá-lo e atirar uma pedra, mas é doloroso, no começo, aceitarmos a bondade que há em nós mesmos porque nosso ego fará de tudo para que você que ainda feche os outros no transito, que ainda bata na mulher e que não tenha paciência com os mais velhos. Mas basta um gesto de bondade para lhe mostrar um novo mundo, uma nova forma de viver.

Seja a mudança que você espera no mundo, e verá que o mundo mudará com você.

Meus mais sinceros votos de mudança nesse 2015 que se inicia, e que todos vocês possam colher os frutos da suas mudanças interiores, pois se leram isso até o fim, já colhem o fruto da minha própria mudança interior.

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Você me deixa abrir seus olhos?

Você me deixa abrir os seus olhos?
A muito tempo que eles permanecem fechados, não porque você quis assim, mas porque o fecharam para você. Desde seu nascimento, até o dia de hoje, mas neste momento, eu lhe faço essa pergunta, você permite que eu abra seus olhos?
Muito bom.
Mas o que quer ouvir? Qual mentira quer que eu desminta? Qual segredo quer ver revelado? Qual verdade quer entender? Levantar o véu não é uma tarefa prazerosa, pelo contrário, quando ver o mundo com os olhos despertos, verá uma realidade que não é tão boa quanto parece.
O mundo não funciona como está, você me diz. Há realidade pior do que essa? Você poderá perguntar, e eu responderei com um suspiro compreensivo, sim. Há aquele mundo onde você entende que boa parte dos seus esforços são podados, são levados a falha, não por você ou por falta de tentativa, mas simplesmente porque você não pode ter sucesso.
Então, ainda quer que eu abra seus olhos? Aviso, olhos abertos jamais podem se fechar novamente.
Ok, então vamos lá…
É, existe o Grande Irmão. Sim, existem pessoas no poder que regem as leis. Sim, o país é governado, melhor, administrado como uma empresa. Sim, as pessoas entram em concurso e faculdades sem fazer certames. Sim, alguém vai conseguir um transplante de órgãos antes de você, ainda que você seja o primeiro. Sim, a educação é ruim porque eles querem que seja ruim… Sim… Sim… Sim…
Eu poderia dizer que tudo que lhe disseram, até o momento, é mentira. Mas você acreditaria em mim? Eu poderia dizer, por exemplo, que a religião que você acredita, que suas opiniões políticas e sociais e até mesmo boas partes dos seus gostos não são realmente seus, são deles, da massa que criaram, do status quo imutável implantando pelo comodismo de existir.
Apenas exista, dizem eles. Lhe daremos o básico. Você vai poder até se casar, veja só! Mas na realidade somos apenas a fonte de renda deles. Ah sim… É ruim se achar no fundo da cadeia alimentar, não é? Você aí, todo inteligente, capaz de magnificas criações, nada mais do que um peão, um coitado que trabalha para um sistema que compra cada segundo do seu tempo, e meu caro, o seu tempo é tudo que você tem para vender. Acha que vende serviço? Mão de obra? “Capital intelectual”? Não, você vende seu tempo, uma das poucas coisas que uma vez vendida, não tem volta, nem reembolso, nem porra nenhuma.
Ah, mas que mundo de merda esse seu. Abri meus olhos apenas para ser ainda mais triste e frustrado. Abri meus olhos apenas para ver que nada sou além de uma fonte de renda para mamãe Dilma ou qualquer outro governante…
É, seus olhos foram abertos. Mas cabe a você o que fazer com seus olhos.
Posso lhe dizer mais? Quer ouvir?
Tem certeza? Então vamos lá.
A religião só existe para lhe manter longe dos grandes segredos, segredos esses que vão lhe levar para o sucesso assim ó, puf! É… Eu sei, você tem medo da sua alma imortal ser consumida nas chamas da danação eterna, não é? Bom, isso é realmente uma pena. Mamãe Dilma não tem medo disso, nem papai Bill Gates, nem ninguém que você vê nadando em seu dinheiro. Isso mesmo, SEU dinheiro. Se livre de mais essa meu caro, é… Desse paradigma mesmo, dessa religião, não tenha medo. Acredite no Deus que existe em seu coração, se quiser, mas não acredite no Deus que eles mandaram você acreditar.
Mas aí é que tá, não é? Difícil tirar isso da cabeça. É ainda mais difícil do que passar todo domingo e aguentar aquela horinha lá, aquela que “te salva” da danação eterna. Parceiro, não adianta se arrepender de nada, ação e reação é o que rege a Lei. Traiu a mulher? Bateu nos filhos? Aceitou propina? Deu fechada para chegar mais cedo em casa no transito? Não devolveu o troco? Pois é, tudo isso volta, de uma forma, de outra, mas volta. Ir à igreja não tira você dessa parceiro. Talvez ir à igreja seja seu castigo… Talvez.
Ah, quer saber o segredo? Não… Ainda não. Seus olhos não foram abertos por completo. Ainda há dúvida, ainda há medo, e quem hesita, hum, esse não chega lá nunca. Hesitou, perdeu. Vá atrás dos mistérios quando não tiver dúvida, quando não tiver nenhum medo, quando ter a absoluta certeza que você quer despertar, que vai ter a gana necessária para atravessar o umbral. Antes disso você vai encontrar apenas sofrimento e frustração.
Existe sim uma saída de tudo isso, ela está com você, sempre esteve, sempre estará. Não vou dar o mapa, mas vou dizer onde tá o pote de ouro. Vai, faça assim comigo, feche os olhos… Isso… Agora respire bem fundo, inale… Exale… Faça isso durante uns minutos, três ou cinco, relaxe bastante. Pausadamente não, inale e exale, inale e exale, lento, mas sem parar. Agora não pense em porra nenhuma, limpe sua mente… Isso. Taí, agora é só pegar.
Está dentro de mim? E você ainda tem coragem de me perguntar isso?
Mas cuidado meu caro… Os olhos que se abrem, jamais se fecham, a mente que se expande, jamais retorna ao seu estado original.

A musica da sua alma

Existe uma musica que foi feita para você e você sabe disso. Quando a ouve, lembra de lugares em que nunca esteve, pessoas que nunca conheceu, sentimentos que nunca sentiu. A musica faz você ir além, seus sonhos se tornarem realidade por aquele breve instante, aqueles minutos onde você não resiste à vontade interior de fechar os olhos e se deixar levar, carregado suavemente por uma brisa ou de forma violenta em uma maré revoltosa, mas é levado, e lá você encontra aquilo que sempre procurou, mas nunca soube exatamente o que era.

O compositor pensou em cada nota, em cada palavra, em cada entonação. Pensou nos sentimentos, pensou no movimento do corpo ao tocá-la, ao dança-la e acima de tudo, pensou naquela pessoa em especial, você. Ele imaginou o que sentiria sabendo em seu intimo, que alguém, em algum lugar do mundo, vai ouvir essa musica e vai sentir exatamente o que era para ser sentido. Com seus olhos fechados, a vibração das notas e vozes irão compor a peça restante do quebra-cabeça, irá finalmente completar uma parte que estava ali, vazia, simplesmente esperando algo que a pudesse completar, compreender, traduzir, interpretar…

E nesse momento o maior sonho do compositor se torna realidade, ainda sem saber, ainda sem ter certeza, mas sua musica foi ouvida e tocou o intimo daquela pessoa em especial. A musica continua, faz seu trabalho e chega ao fim. Você abre os olhos, sem entender o que aconteceu, sem entender que momento sublime de pura simplicidade pode saborear ali, em poucos minutos. A mente começa a voltar para a banalidade, a vida “real” força sua entrada, é invasiva, dolorosa, mas acontece e logo a magia some, desvanece no ar como um sopro.

Você a ouve novamente, mas não é a mesma coisa, a banalidade já está lá, gritando tão alto que a magia da musica não te alcança, não lhe toca a alma. Então um dia distraído, inspirado, talvez depois de um dia longo e cansativo, talvez sonolento, você a ouve mais uma vez e tudo volta com a mesma força, você retorna àquele lugar, aquele sentimento… Sempre estará lá para você e você somente, graças aquela musica, aquele compositor, você sempre terá uma porção da magia para segurar bem forte e te fazer lembrar que a vida é ainda mais bonita e brilhante do que parece.

Todos nós queremos o fim do mundo.

Todos nós queremos o fim do mundo.

Todos nós queremos que o Planeta X, Nibiru, Hercobulos ou seja lá qual nome, nos acerte. Realmente queremos entrar em uma nuvem de Fotons, realmente queremos que o sol exploda, que os polos se invertam ou qualquer outra dessas coisas. Queremos isso, essa é a verdade.

Mas não queremos simplesmente o fim, nós queremos algo diferente, algo que saia da rotina, um desafio, uma mudança. Os preços continuam aumentando, os velhos continuam a envelhecer e nós, aqui, continuamos a acordar todos os dias, esperando. Esperando aquela fagulha, aquilo que vai acender o pavio e finalmente, teremos um motivo, um objetivo. Se tudo mudasse, a vida se tornasse algo atraente e interessante, como um filme de cinema ou um bom livro, ninguém desejaria que um planeta misterioso do espaço sideral viesse do mais escuro buraco do universo e acabasse com nossa alegria.

Queremos nos sentir úteis, ter um motivo. Não é atoa que uma das nossas maiores perguntas é “Porque estamos aqui?”. Porque nos levantamos todos os dias para trabalhar e ter dinheiro para pagar taxas e impostos? Porque respiramos fundo para conter a frustração ao ver novamente o preço da gasolina aumentar, a inflação alcançar picos extremos? Porque olhamos para o céu com a esperança de que tudo isso mude?

Porque estamos aqui?

Aquele que olha para o céu estrelado a noite pode imaginar a infinidade do universo, como ele é absurdamente gigante ao ponto de sermos meros pontinhos nessa imensidão, menores do que grãos de areia no deserto. Tanto a ser descoberto, a ser buscado, tantas sendas que simplesmente não serão trilhadas porque temos que trabalhar para pagar a taxa de estar vivo.

Olhamos para o céu com a esperança de que tudo isso mude e que possamos ser felizes, queremos um cataclismo exatamente para sermos felizes, para o mundo inteiro perceber o quão inútil é essa vida através da economia, essa corrida pelo poder e pelo dinheiro. A revolução intelectual e espiritual que tanto sonhamos, o fim do preconceito, o fim das diferenças. Nada disso teria sentido quando estivéssemos no mesmo barco em meio a uma tormenta.

Aquele gay seria seu melhor amigo, aquele negro seu irmão, aquele judeu foi o que salvou sua vida e aquele cara com “cara de malandro” lhe deu o que comer.

É isso que queremos, paz, não o fim do mundo.

Mas amanha, dia 21/12/12, nada vai mudar. Não haverá planeta, meteoro, nuvem cósmica ou qualquer outra baboseira, apenas mais um dia.

A mudança vem de nós mesmos, que deixemos o mundo antigo para trás e construamos um novo, tolerante e igualitário. Mudemos sem a necessidade de um cataclismo, sem que um planeta nós acerte.

Quem saiu ganhando com minha raiva foram as formigas, e minha alma.

Irritado com mudanças sem sentido no meu trabalho, com fome e cansado, somando a isso um tremendo desanimo com minha atual situação profissional, no intervalo de um expediente decidi comprar um saco de batata frita, para desestressar. Acompanhado de um amigo, dividi as batatas com ele, conversando sobre nada de extrema importancia, contendo a minha raiva e descontentamento, evitando reclamar muito da vida.

Quando ele me passou o saco de batatas, ela escorregou e caiu no chão, espalhando algumas batatas. Aquilo não me irritou nem me chamou a atenção, apenas deixei pra lá e seguimos a conversa.

Já a noite, durante o ultimo intervalo, voltamos ao lugar que estavamos e vimos as batatas cobertas de formigas, que atacavam as poucas batatas em grupo enormes. Algumas tentavam passar uns pedaços relativamente grandes entre uma pequena fenda na parede que mal cabia um grão de granola. Uma delas, vitoriosa, conseguiu pegar um pedaço pequeno o suficiente para caber na fenda, parecia feliz, era a que se movia mais rápido.

Enfim, isso me fez pensar. Se não fosse uma série de fatores acontecendo em sequencia perfeita e harmoniosa, aquelas formigas não teria uma janta tão farta, ainda mais que sempre sentamos para conversar em um canto que outros funcionarios não costumam passar o intervalo.

Graças a minha frustração e meu nervosismo, aquelas formigas jantaram e jantaram bem, a loja de conveniencia vendeu seu produto e enganamos a fome pelo resto do dia de trabalho.

Isso apenas me mostrou, mais uma vez, o que acredito sem duvida alguma; nessa vida não existe coincidencias, apenas o inevitavel plano divino.

Foi uma coisa tão banal, mas tão magica e tão inspiradora que me fez perceber que em pequenos detalhes, até mesmo em um tropeço, o mistério de Deus se mostra ali, perfeito e harmonioso.