Agentes da Balança.

Agentes da Balança é um novo projeto que tenho em mente, enquanto meu projeto principal continua a me deixar na mão por pura falta de inspiração. 

Como minha imaginação não gosta muito de ficar em um ponto só, várias e várias histórias surgem e somem, me dando o trabalho de ficar correndo atrás das melhores e escreve-las me meu curto tempo que tenho para essas coisas. Interessante como minha maior paixão, a escrita, é a que ganha menos tempo da minha vida.

Enfim, aí está a introdução, que será postada no blog a partir de hoje, depois de mais de um mês sem escrever nada.

EDITADO EM 01/06/2013:

Gostaria de avisar que estou trabalhando no Agentes da Balança como se fosse meu projeto principal, o outro livro já foi terminado e talvez (talvez…) essa crônica se transforme em um livro, não sei ainda. Aproveitem a leitura =D

Agentes da Balança.

A sala de aula estava empoeirada, vazia e avermelhada pelo por do sol que entrava pela janela. Esquecida e abandonada já a muito tempo, suas cadeiras permaneciam na mesma posição, seu quadro negro ainda tinha frases de um professor que explicava as artes das armaduras antigas e seus desenhos, explicações essas que trouxeram a luz, anos atrás, a Adão, um ex-aluno desta faculdade.

A porta da sala abriu com um rangido característico, que despertou um sentimento nostálgico em Adão. Com passos lentos, caminhou até a janela, passando a ponta dos dedos sobre as cadeiras empoeiradas. Da janela viu uma mulher parada no centro do pátio. Ainda usava o uniforme daquela faculdade, e ainda carregava a mesma arma que o atingiu a anos atrás.

Adão passou a mão por dentro da gola da camisa e os dedos sobre a cicatriz em seu ombro, lembrando da noite em que sangrou naquela mesma sala. Olhou a cadeira onde costumava se sentar e ainda havia uma mancha escura, agravada pela sujeira, que despertou em sua memória mais lembranças de seu ferimento. O tiro foi de surpresa, ele ainda podia ouvir o estouro ecoando pela sala ao se ver anos mais jovem, naquele lugar, desenhando distraído, quando foi atingido e atirado ao chão e logo após, pela janela da sala, que ficava no segundo andar.

Passou os dedos sobre a janela quebrada e seus cacos pontudos, coçou a barba e voltou a atenção para a mulher, que permanecia no pátio, enquanto o sol lutava por mais alguns minutos de luz antes da noite cair sobre aquele lugar. Adão levantou os olhos para a luz solar, depois para o quadro negro. Desamarrou da cintura uma bainha que carregava, tirando uma espada em seguida. Uma espada longa, lustrosa, sem falhas em seu corte de dois gumes. Em sua empunhadura, um símbolo solar brilhava ao refletir os últimos raios do crepúsculo.

Quando a noite caiu, a garota deu dois passos para frente e armou sua pistola, Adão por sua vez, guardou a espada na bainha e ponderou sobre o que ia fazer, ali, olhando-a pela janela quebrada. Por fim tirou os cacos restantes e saltou da janela, rolou no chão ao cair e sacou a espada, atirando a bainha para longe.

A mulher suspirou e deu um sorriso sem vontade, Adão fez o mesmo e apertou com mais vigor a empunhadura da espada.

__Já é noite. –disse a mulher, com uma voz suave, mas firme-

__É verdade. –respondeu, sua voz era rouca e madura-

A mulher levantou a pistola em direção a Adão, que engoliu seco, mas continuou firme em sua posição, até o primeiro disparo, que despertou os pássaros nas arvores do pátio, estes revoaram em resposta.

2 pensamentos sobre “Agentes da Balança.

  1. ~Lendo este inicio, me lembra histórias de animes;
    O que me surpreende e a forma como ele encara talvez ou com certeza seu maior medo;
    Apesar de você não ter dado detalhes sobre o olhar dele para ela da janela, eu imagino aquele meio olhar, fixo, talvez com determinação, ou, apenas um olhar frio com apenas desejo de colocar sua espada ou ela o acertou;
    Dizendo isso, eu volto atrás, e digo que ele não sente medo, sente dor e vontade de saber de onde vem o sorriso dela.

    • Obrigado pelo comentário! Que bom que consegui passar o que eu queria para o leitor! Esse é aluno do grande Ary Carlos! Brincadeira.

      Obrigado pela visita e pela leitura, fico feliz sempre que alguem aproveita meus textos.

      Abraço e até o próximo post.

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