Para onde vai o mundo? De Edgar Morin.

A obra de Edgar Morin, “Para onde vai o mundo?” começa com a ideia de que o futuro não é previsível, onde o presente e o passado são conhecidos e o futuro possa ser pré-dizivel, conhecível. Então ele remete a ideia da relação entre passado e presente, onde um cria o outro, e logo, também o presente cria o futuro e vice versa, já que escolhemos o que consideramos fatos históricos, o que consideramos importantes e, acima de tudo, o que consideramos “passado”. Assim sendo, o futuro remete ao presente, já que nossas ações criaram esse futuro e, no futuro, determinaremos o que foi o atual presente como sendo passado, recriando-o a partir de nossa visão presente no atual futuro.

A partir dai, com a ideia de explicar “Para onde vai o mundo”, o autor explica as crises e as evoluções e regressões decorrente das mesmas, discorrendo sobre as guerras, as potencias mundiais, o impacto das mesmas e dos “fatos históricos”, que se voltarmos a pensarmos em sua linda de raciocínio, são frutos do presente analisando um possível passado e o que consideramos como história. Continuando, Morin então passa para a idéia de Progressão na regressão e regressão na progressão, onde tudo está correlacionado e se influenciando ao mesmo tempo, constantemente, formando um ciclo vicioso onde o mundo está no centro, a crise que gera a evolução, evolução que gera revolução, revolução que gera regressão, e por fim, regressão que leva a crise.

É ai que Morin aplica sua visão de mundo, indicando uma “era de ferro planetária”, onde haverá, em um futuro pré-dizível, uma “federação do planeta terra”, onde as nações estarão todas unidas em uma, e a partir dai, poderemos evoluir a um estágio planetário. Em sua obra, Morin enquadra a humanidade na “era de ferro planetária”, espiritualizando a sociedade e remetendo a necessidade de um novo paradigma:

“a crise da planetarização, é a crise da humanidade que não chega a se constituir como humanidade, e, dai então, da crise do mundo ainda incapaz de se tornar mundo, a crise do homem ainda impotente em sua realização como homem…”

Morin então apresenta a sua proposição quanto ao assunto até agora abordado, mostrando uma forma da sociedade alcançar um nível planetário, que consiste basicamente em uma sociedade cooperativa, que se importa com o humano no nível humano e não como apenas mais uma criatura, esquecendo fronteiras virtuais que separam a humanidade como sociedade.

A partir do capitulo “O acasalamento das baleias” a obra alcança um nível metafisico, onde o autor aborda o despertar da humanidade como humanidade, um despertar da consciência espiritual onde tomaremos uma posição em questão aos maiores problemas que a evolução encontra em seu caminho, a saber a megamorte e a violência tornada louca.

Concluindo a obra, Morin apresenta a chave para todo esse processo, a mudança necessária é a simples ação, onde o ser humano toma uma atitude e posição como humano, para finalmente tornar a humanidade o que ela deveria ser. A obra fecha com a ideia simples e extremamente eficaz, Semear e Amar-se.

Em sua obra, Edgar expõe a sua visão de mundo, sociedade, e principalmente, do tempo. O tempo que se auto formula, o presente que molda o futuro e também o passado. O autor se expos de forma excepcional, não podendo esperar menos de uma pessoa de seu calibre, entretanto para o leitor mais comum, a leitura pode se tornar cansativa e desgastante a medida que ele discorre. A forma como trata o período das guerras e os que viveu, as vezes dando a impressão que divaga em alguns pontos, perdendo o foco sobre o real assunto, mas a impressão normalmente é anulada quando o autor retoma o foco e usa todo aquele discurso, exemplificando e mostrando ao leitor, em argumentos sólidos, o que propõe.

É claro que podemos simplesmente ignorar o defeito da complicação e longas explicações quando tratamos (e devemos tratar) que a obra não foi feita para o leitor mediano, e sim para o leitor profundo, aquele que realmente estuda a obra e dela retira o seu sumo.

Morin faz um belo caminhar em sua obra, começando em um ponto e terminando em outro, traçando uma linha reta sem se desviar do assunto em si, respeitando o tempo e a conexão entre um assunto e outro, tornando o texto em si completo e coeso. Quanto as ideias que discute, se pararmos para analisar seus argumentos e suas teses, comparando-as ao mundo em que vivemos atualmente, iremos entender melhor e encontrar as nas palavras de Morin um significado ainda mais amplo. A obra traz então não apenas um texto intelectual rico, mas sim uma chave para uma porta que leva a um caminho de expansão da consciência. Uma forma mais inteligente de encarar os fatos e fatores que circundam a existência da humanidade.

Ainda que não seja difícil se perder no texto e ter que dobrar a atenção e o foco em certas explicações, isso não se dá por causa de falhas na textualidade, afinal, o livro nesses aspectos pode ser considerado quase impecável, já que Edgar não se contradiz ou diz algo que o leitor apenas entenderá no final da obra.

Por fim, o rico texto de “Para onde vai o mundo?” leva o leitor a uma profunda reflexão, não apenas da lógica temporal, mas da necessidade do homem de ser homem, da humanidade como humanidade, chegando ao cume de sua evolução, que para Edgar Morin, pode ser sintetizado em um sentimento: Amor.

4 pensamentos sobre “Para onde vai o mundo? De Edgar Morin.

  1. Olá Demétrios,
    O livro parece ser bem interessante, mas precisaria lê-lo para poder emitir uma opnião mais fundamentada. Tomando por base a sua resenha puder tirar algumas coisas que acho muito importantes: “Então ele remete a ideia da relação entre passado e presente, onde um cria o outro, e logo, também o presente cria o futuro e vice versa (…)”, aqui reside uma chave muito importante, se parassemos para analisar do passado, olhando os caminhos percorridos os erros e os acertos de nossos ancestrais, aprenderíamos com eles a não cometer os mesmos erros. Saberíamos como agir no presente (o próprio nome já nos mostra sua importância), para fazer um futuro melhor.

    “(…) chegando ao cume de sua evolução, que para Edgar Morin, pode ser sintetizado em um sentimento: Amor.” A conclusão dele é a única possível para a evolução da humanidade e se pararmos pra pensar não bem, não é uma conclusão muito dificil de se chegar. Então fico me preguntando pq não atingimos logo esse ideal, pq não amamos, respeitamos e aceitamos o próximo com todas as suas qualidades e defeitos? Pq primeiro precisariamos nos amar, nos respeitar e nos aceitar, “ninguem pode dar aquilo e não possui”….em tempos em q síndromes e transtornos sugem a todo momento, acho q ainda estamos longe de atingir essa meta.
    Deixa eu para por aqui…hehehe…já divaguei demais, espero não ter sido muito confuso.😄

    • Realmente pela resenha, é difícil absorver toda a idéia que Edgar Morin apresenta em seu livro. Ele tem uma ótima explicação sobre o porque nós simplesmente não amamos e aceitamos a todos com espírito de fraternidade. Em sua obra ele mostra que a sociedade se faz e refaz através das crises e que a necessidade de derramamento de sangue parece ser uma constante, ainda que não seja exatamente da natureza humana, mas sim uma necessidade que foi adquirida durante a história do ser humano, que de humano tem pouca coisa na verdade…

      Uma coisa que acho interessante no pensamento de Edgar, é ele acreditar que estamos ainda na idade de ferro da humanidade, o que concordo, a julgar pela forma com que lidamos com o planeta e com a sociedade. Se tiver interesse pela obra, aconselho a comprar. É bem pequena, tem menos de cem paginas, mas que é o suficiente para o leitor entender por completo a idéia que Edgar expõe na obra.

      Outra coisa que adiciona credito a Edgar é sua biografia, que é recheada de conhecimentos sociólogos e experiências próprias.

      Não é a toa que me senti obrigado a comentar sobre o livro e adiciona-lo na categoria de livros que devem ser lidos.

      Abraços e obrigado pelos comentários.

  2. Muito boa a reflexão no livro “Para onde vai o Mundo”?
    As pessoas atualmente não param para refletir sobre as suas vidas e sobre a sua importância como seres humanos no mundo onde vivem. Tudo está muito acelerado… .

    • Sim, parece até que esquecemos que a vida é uma só, ou pior, sabendo disso trabalhamos apenas para nós mesmos.

      Eu espero ansioso pelo futuro, na esperança de que despertemos para um unico ideal. Quem sabe um dia..

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