A vida em primeira pessoa.

A pior coisa a fazer com sua vida é compara-la. Ainda que a um romance de ficção, ainda que com algo irreal, o que se mostra claramente pior e mais perigoso. Nossa alma não se aquieta, nossa mente não sossega pelo “queria ter”, “poderíamos ter” e “não temos.”

É engraçado, ainda que trágico, nos vermos a nós mesmos como atores e personagens de uma peça ou um filme, no qual narrado mentalmente em primeira pessoa, pode-se obter alguma visão externa e nos acharmos como protagonistas importantes, ou que nossa vida possa ser interessante.

Visto de um prisma diferente, de um ponto distante, com olhos de leitores e espectadores de um espetáculo que é o tédio morto e nosso aprisionamento ao que chamamos de vida. Os rituais diários acabam se tornando formas diferentes, ainda que rotineiras, de tortura e desgaste, onde nós dispomos, nem sempre por nossa vontade, a sofrermos. E o mais interessante é que, ao final do dia, olhamos para nós mesmos jogados no sofá e temos a coragem hipócrita de dizer “nada melhor que um dia após o outro.”

Quero que Horácio e seu carpe diem, junto com seja lá quem fez a frase “nada melhor que um dia após o outro.” Vão para o inferno, juntos e de mão dada.

Veja eu, tão raivoso e irado por causa de tudo que acontece nessa palhaçada que chamamos de vida, que divago sobre as nossas estupidas rotinas.

Pois não compare, a não ser que queira sofrer, sua vida com outra. Aquele ditado que a grama é sempre mais verde no quintal alheio é verdade, e sempre vai ser. Por mais lindo que seja a porcaria do seu jardim, alguém sempre vai ter um jardim mais bonito, maior e mais bem cuidado e, em pé e segurando uma mangueira idiota e verde, vai estar molhando suas rosas enquanto sorri para você como quem diz “Ah ha, o meu é melhor e maior.”

Já dizia o robô mais inteligente do mundo “Vida, o que chama de vida?”. Marvin olhou a ultima mensagem de deu para sua criação e aceitou. “Desculpe-nos pelo inconveniente” Mas não é ótimo isso? Que pena Douglas Adams não estar mais entre nós, ao menos não em carne, pois suas obras perduraram para aqueles que buscam, e como dizem, quem procura acha.

Nada melhor que ler um livro narrado em primeira pessoa, para entender minha raiva. Não que não goste, adoro, mas já viu que é como ter alguém rindo para você, mostrando o quão legal e emocionante é a vida dele, enquanto você fica trabalhando o dia inteiro, se masturbando o resto dele e se embebedando aos finais de semana?

É ótimo! A que sensação ótima desse filho da puta carpe diem

Um pensamento sobre “A vida em primeira pessoa.

  1. Olá Demétrios, excelente seu texto; uma visão e posicionamento diferente de todo o blá, blá, blá que se vê por aí. Parabéns!
    Abraços

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