Além da Pizza

A pizza chega, fumegante, brilhosa, perfumada. Com todo o cuidado, o garçom a serve, e em menos tempo do que o pizzaiolo leva para colocar a mussarela, o gordinho a devora deixando apenas a gota de óleo no canto da boca como lembrança, que logo é apagada por goladas ferozes de coca cola.

Porque não saboreamos a pizza? Comemos de pouco em pouco, prestando atenção no sabor, na textura? Ou melhor ainda, procuramos ver o carinho que o pizzaiolo teve ao faze-la, a borda bem produzida, os ingredientes bem colocados, o peperoni padronizado por cima da mussarela, o bacon cortado de forma magnifica, o alho assado no ponto, fininho, dourado.

O cuidado dos cozinheiros, daqueles que abrem a massa, que manuseiam as longas e pesadas pás que levam as pizzas aos fornos, daqueles que fazem aquilo em um ritual quase sagrado, mais de duzentas vezes por dia, variando os temperos, os sabores. Variando os tamanhos e bordas.

A arte de se fazer uma pizza, de agradar o cliente, deixando a massa perfeita, no ponto desejado. Ah! Que trabalho é fazer uma pizza de verdade! E então, a pizza pronta é entregue ao garçom, que com cuidado para não se queimar e nem para derruba-la, carrega com o braço cansado mais uma pizza, pesada, quente, cheirosa. Com precisão ele passa o braço que a carrega entre dois clientes sentados em suas cadeiras, oferece e mostra cada sabor que há nela, cada ingrediente. Nessa posição, a pizza parece pesar mais, mas ainda assim, persiste o garçom.

Então ele a tira do disco, a passa para o prato, com cautela para que o queijo não acerte o cliente, não escorra ou caia fora da fatia. Com elegância ele a poe da forma correta, com a ponta virada para o cliente, deixando a borda para o final, para ser comida de baixo para cima. Após isso, ele repete para as outras dez ou trinta pessoas na mesa, apenas para quando acabar, pegar a próxima pizza e servi-la na próxima mesa.

Já o gordinho… Ele nem repara no pizzaiolo olhando entristecido, vendo sua obra de arte triturada em segundos, lavada por uma coca cola com gelo e limão, e de forma impaciente, seguida da próxima fatia, que é consumida quase com a mesma voracidade.

Então o pizzaiolo sorri, da de ombros e começa mais uma peça de arte, e espera que dessa vez, alguém ao menos pare para olhar por um segundo, e imaginar, o que existe além da pizza.

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