Personificae – Primeiro Capitulo –

Trago a vocês o primeiro capitulo do meu livro já publicado, Personificae.  Decidi publicar esse capitulo pois, já que ainda sou um escritor desconhecido, a maioria das pessoas que se interessam no meu livro não sabem como eu escrevo, ou como é a narrativa e etc… Então para vocês, o primeiro capitulo de Personificae.

Cap. I -Solidão Existencial-

Você sabe como é ser acordado por um abraço morno, um beijo suave e carinhoso no rosto e uma voz feminina bem delicada e meiga dizendo bom dia? Deve até saber… Quase todos nós temos um alguém que podemos chamar de ‘nosso alguém’. Mas e se esse abraço e esse beijo forem dados pela Solidão? Não, eu não digo isso metaforicamente, eu realmente sou acordado, quase todos os dias, pelo beijo e abraço da Solidão. Sei o que está pensando, que eu sou uma pessoa depressiva que fica escrevendo poesias e contos sobre esse sentimento tão agonizante. Bom, de certo modo você esta certo, mas eu era, não sou mais. Deixe-me explicar.

Me chamo Antony, Antony Freeman. Eu sou um cara estranho… Ok, eu sei, essa coisa de estranho, diferente, especial, etc. Já esta bem batida, então vou colocar outro adjetivo. Excêntrico. Tenho um trabalho de meio período em uma papelaria, eu sou o cara que organiza os objetos no armazém, as pessoas de lá me chamam de “cara que muda as caixas”, ninguém ainda me perguntou meu nome, com exceção do meu chefe. Trabalho apenas quatro horas por dia neste emprego, das dez horas as quatorze. Das dezoito e meia ate as vinte e três horas, eu estudo informática em uma faculdade. O resto do tempo passo no meu próprio computador jogando e baixando o que não deve. Meio Nerd, não é? Nem tanto… Para vocês se sentirem melhor enquadrados na história, vou dizer como sou, fisicamente. Alto, branco, magro, cabelos longos e negros ate as costas com duas mechas chamativas sobre o rosto fino. Tenho olhos claros, verdes quase como uma esmeralda. Sou bonito até, é o que dizem, mas não passa disso. Uso roupas… Excêntricas. Um colante preto por baixo de uma jaqueta de manga curta, com círculos cortados sobre os ombros. A jaqueta termina no começo da barriga. As calças são bege, folgadas e cheias de bolsos. Me visto estranho, não é? Assim mesmo, às vezes eu pioro e pinto o cabelo de cores exóticas que me fogem a memória.

Nessa rotina, você deve ter percebido que minha vida não é… Digamos… Muito social. Isso me tornou uma pessoa solitária, mesmo eu já sendo por natureza. Eu moro sozinho, em outra cidade da qual minha família mora e isso ajuda bastante esse sentimento. Mas isso não é lá tão importante, não mesmo. Voltando ao assunto, vamos falar sobre como eu conheci a Solidão.

Era um sábado, há algum tempo atrás. Estávamos eu e Mercedes, uma grande amiga minha, melhor não tela como amiga, você vai saber por que depois, em um café chamado “Cristal Café Point”. Era onde nos encontrávamos, sempre que dava ou quando não tínhamos mais o que fazer. Um amigo meu tinha se tornado vip de lá, e acabamos nos tornando com o tempo também. Izaac e Joey já haviam ido embora naquele momento, dias depois descobri que estavam tentando fazer rolar algum clima entre mim e Mercedes. Oh, pobres mortais… Estava sentado, folgado, com os pés sobre o resto do grande sofá vazio. Mercedes estava com o rosto apoiado em uma das mãos, entediada com um canudo na boca e uma lata de energético sobre a mesa. No momento eu esperava meu cappuccino.

__Sofrer! –disse Mercedes sem ao menos parar para pensar na resposta-

__Besteira… –respondi, com raiva da resposta dela-

__Claro que não! Sofrer é a resposta certa. Que outro motivo seria?

Fiquei pensando, enquanto encarava sua expressão curiosa. Mercedes era linda e excêntrica assim como eu. Seus olhos eram castanhos bem claros, adornados por uma leve sombra preta, seus cabelos eram curtos, quase nos ombros, pintados de rosa. Usava cinco brincos na orelha direita, um piercing bem pequeno no nariz. Era branca, com o corpo adolescente bem definido. Usava quase sempre um top preto e regatado, que mostrava a tatuagem de uma rosa no braço esquerdo.

__Sofrer… Sofrer… Sofrer… Só isso que fazemos na nossa vida Tony –sim, ela me chamava de Tony- Se não encarar os fatos, não vai poder aproveitá-la.

Serio, eu fiquei pensando neste momento. Qual o motivo da minha vida? Escrever um livro, plantar uma arvore, fazer um filho com ela? Não seria nada mal ir pra cama com ela, na verdade, eu gostava dela ate esse ponto, mas não era recíproco. Mas a resposta que ela me deu me deixou com raiva e triste ao mesmo tempo. Fazer o que? Sempre fui assim mesmo.

__Certo… Se for assim mesmo… –me levantei, sem tomar meu cappuccino- Vou sofrer em casa e sozinho. Obrigado.

__Ah, qualé Tony! Ficou chateado com isso? –ela se levantou também, tirando o canudo do energético e tomando o resto em um gole só- Não é bem assim também… Olha…

__Ah é? Então me explica… –fiquei a encarando, enquanto ela se perdia nos próprios pensamentos. Ela não agia bem sobre pressão-

__Olha, você estuda, você trabalha… Você fica no seu computador… Você tem um personagem forte naquele seu joguinho on-line… Anh… Você assiste anime no computador! Olha só! No meu não roda.

__Eu já disse que é por causa da porra dos codecs. E você não esta ajudando muito assim. Quer saber… Fica quieta, assim você não estraga mais do que já esta.

__Tudo bem Tony… Vou deixar você aqui sozinho. –ela passou bem perto de mim, indo embora do local. Jesus Cristo, se ela passasse só um pouco mais perto eu agarrava ela- Cuidado viu? Agindo assim você só vai ficar mais sozinho. Toma seu cappuccino ai.

Naquele momento que me sentei novamente, foi como se uma tonelada de chumbo se sentasse em cima de mim em seguida. Liguei meu mp3 player, ouvindo um bom trip hop. Isso me deixava mais depressivo, mas eu gostava. Meu cappuccino finalmente havia chegado, fiquei olhando aquela espuma branca, rodopiante na xícara. Respirei fundo, fechando os olhos e tomando um leve gole. Sabe quando você aproveita você mesmo por completo? Foi o que fiz, fechei os olhos, me concentrei na musica e fiquei viajando no sabor do cappuccino. Mas não durou muito, meu inferno havia começado.

__Vou me sentar aqui ta? –disse uma garota após tirar os meus fones, se sentando em seguida- Me chamo Solidão, e você?

Cabelos curtos como os de Mercedes, mas bem penteados e loiros. Tinha olhos verdes assim como os meus e uma sombra pesada nos mesmo. Havia uma tatuagem em sua face direita, um símbolo de interrogação que ia do fim do olho ate a linha da boca. Usava uma blusa vinho bem apertada, bem apertada mesmo, parecia ate uma segunda pele, estampada com correntes se entrelaçando. Um jeans igualmente apertado, o que mostrava o corpo tão bem delineado quanto de Mercedes.

__Eu sou Papai Noel. –disse de forma seca, tomando mais um gole- O que foi?

__Nossa… Você ao vivo é bem mais bonito. –sorriu tão docemente que me prendeu a atenção- Serio, me chamo Solidão, mas como você provavelmente quer um nome mais humano, me chame de Sol.

__Sol… Ok… Me chamo Antony. E como assim ao vivo?

__Orkut. Você pôs sua foto lá.

Me senti um imbecil nesse momento.

__Soube de boca a boca que você estava aqui neste café, então vim te conhecer. Eu li seu perfil… Você parece uma pessoa tão gentil. E bonita… –seu rosto ruborizou, de uma forma tão fofa que quase não resisti, mas sou desconfiado quando se trata desse assunto-

__Claro… Que boca a boca? Mercedes sai e você entra. –olhei desconfiado, quando a esmola é demais, o santo desconfia-

__Mercedes?

__Uhum… Diz ae, quem te mandou aqui?

__Ninguém seu bobo. –ela riu sem tirar os olhos de mim- Internet já é suficiente sabia?

__Unh… –analisei ela por um momento, mas a necessidade me fazia cada vez mais acreditar nela- E porque você não apareceu quando eu estava com a Mercedes aqui?

__Não é obvio? –ela se recostou no sofá, juntando as mãos em cima da perna- Pensei que ela fosse… Você sabe, sua namorada.

__Não… Só uma amiga mesmo.

Sol respirou aliviada, olhando pela janela. Eu tomei um gole do meu cappuccino e fiquei a encarando por um momento. Mesmo que fosse só uma pegadinha dos meus amigos ou mesmo uma guria aleatória que apareceu do nada, seria desperdício se eu não tentasse, ao menos, conhecer ela para, quem sabe, conseguir seu telefone ou coisa assim.

__Porque não deixou um scrap antes Sol? –sorri, tentando ser legal- Ah, não importa. Você também parece ser uma garota legal, quer alguma coisa?

__Querer eu quero… Mas será que você… Também quer? –ela juntou as mãos entre as pernas, abaixando o rosto e fazendo cara de cachorro pidão- Hein?

__Provavelmente sim…

Bom, ótimo. Me arrependo ate hoje de ter dito sim para essa pergunta. Sol se levantou e sentou do meu lado do sofá, interpretando uma garota tímida e fofa. Ela sorria para mim, aproximando o rosto do meu. Eu realmente pensei por um segundo, quem diabos era ela, mas eu disse, pro diabo quem ela seja, e a beijei. Foi bom, ótimo. Mas depois desse beijo, eu senti aquele vazio que a solidão fazia crescer muito, meus olhos encheram d’agua, mas contive as lagrimas ali mesmo.

__Ótimo! –disse ela alto e sorrindo- Sou sua Solidão bobinho. Você me aceitou por completo. Que ótimo! Agora seremos só você e eu.

-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-

Esse capitulo é realmente só o inicio da longa jornada de alguns anos que tive ao escrever Personificae. Enquanto a historia do livro amadurecia gradativamente, eu tambem seguia o ritimo, e cada vez mais, sintia que o livro não era só mais uma coisa que eu estava criando, e sim, um marco na minha vida. Depois que comprei minha copia no CLube de Autores, reli o livro e nunca me senti tão nostálgico… Mas tão completo ao mesmo tempo. Espero que aticem sua curiosidade com esse capitulo, e caso comprem, que saboreiem as paginas e sigam tambem esse fluxo de altos e baixos que é a vida do Antony e seus sentimentos.

O livro pode ser adquirido na integra nesse link :  http://clubedeautores.com.br/book/4688–Personificae

Abraços a todos e até o proximo post.

3 pensamentos sobre “Personificae – Primeiro Capitulo –

  1. Putz, eu tive essa ideia há muito tempo atras, só que minha solidão era mais sombria (mulher rula vidas xD). Mas é legal saber que um pensamento meu poderia ter feito sucesso (pensamento porque na epoca eu não escrevia,ainda não escrevo né[só algumas ideias], sou um cara preguiçoso >.<).

    • Olha que legal isso! Não desista de escrever Akatsu. Se tem algumas ideias, procure coloca-las no papel, ver como fica e partir dai. O Brasil precisa de escritores, cada dia que passa, e se você tiver uma ideia de um livro, conto, poesia, opinião… Qualquer coisa, vá atrás e mostre do que é capaz.

      Fico feliz tambem que tenhamos ideias parecidas. Ainda mais sobre Personificae! Sua ideia ainda pode ter sucesso, tente, se não der, você não vai ter perdido nada e criado muito.

      Abraços e até a proxima.

  2. Pingback: Personificae agora também em E-Book « Demétrios Miculis em palavras e pensamentos.

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