O Homem que esperava o Sinal.

Havia este homem, esperando o sinal verde da faixa de pedestres de uma via movimentada acender. Não se importava muito em esperar, mesmo naquele calor infernal de 39° graus do meio-dia. Suas luvas de borracha negra faziam suas mãos suarem, segurando uma maleta prateada pesada, mais de 8 quilos, o que fazia seu braço se cansar e doer. Mas ele não se importa, não mesmo, a única coisa que importava era chegar ao outro lado da rua, tarefa essa que estava se mostrando mais difícil do que entrar em um moedor de carne e sair ileso. Se bem que, visto de longe, ele parecia tão magro e esguio que algumas pessoas mais otimistas acreditariam que ele fosse capaz de tal proeza.

Olhou para a via, uma extensão enorme de carros em alta velocidade passavam pelas três faixas, como uma boiada em um estouro. Este homem então, após apertar pela vez que ate ele perdeu a conta, começou a acenar com a mão para os carros pararem, mas era a mesma coisa que acenar para a boiada. Os touros não iriam parar, por mais carinhosamente que ele pedisse e por mais carismático que fosse.

Olhou ao redor, ele parecia ser o único pedestre daquele local, talvez fosse o único do mundo. Se questionou rapidamente quantos carros existiam no mundo. Aproximadamente, pensou, um numero bem exagerado, multiplicado por dois. Soltou a pesada maleta no chão e balançou o poste que se encontrava o botão. Este por sua vez mostrou sua teimosia sem limites, e mesmo com as ameaças que daquele homem, ele não acendia a luz verde para que ele passasse.

O homem então respirou fundo, pegou sua maleta e sorriu para o sinal, acenando um tchau com a mão e dando as costas, saindo com passos lentos. Após pegar uma pequena distancia, voltou correndo e bateu com a maleta no poste, fazendo ele balançar como se fosse um poste de ferro atingido por uma muleta com mais de 20 quilos, graças a velocidade e força que o homem colocou no golpe. Ainda com sua decisão inabalada, o teimoso poste continuou a mostrar uma luz vermelha, que proibia o homem como um sorriso maldoso.

Então o autor, que até o momento brincava com um homem paciente e um poste teimoso decidi dormir. Fazendo assim com que o rapaz nunca atravesse a rua e que o poste nunca fique verde. Não é um final triste, prezado leitor, mas fique sabendo que os carros estão felizes por poderem continuar a trafegar sem terem que parar, reduzir para a 1º marcha e só então voltar a sua velocidade normal.

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Esse texto que escrevi a algum tempo atrás é uma brincadeira, como eu mesmo disse no texto. Eu brincava de escrever quando o produzi, criava um homem em sua espera inútil por um momento em que pudesse passar de um lugar ao outro. Claro que, mesmo que o tamanho seja pequeno, é uma janela que convida você escritor a pensar em quantas pessoas, lugares, caminhos, animais, criaturas, e tantas outras coisas que simplesmente se estagnaram em um lugar, sem nunca completar o que nasceram para fazer. Esse homem, até eu completar esse texto, ficara la, esperando, no sol quente que judia seu corpo, o sinal ficar verde para que ele possa finalmente cruzar a rua. O que o espera do outro lado? Nem eu sei… Quem sabe um dia eu saiba e termine esse texto, ou quem sabe ele nunca seja terminado.

É um pensamento bem fantasioso, imaginar que o que você escreve tem vida. Não acho bobo, nem infantil pensar dessa forma. Acredito que, quanto mais acreditamos na veracidade de nossas palavras, mesmo em uma ficção, mais real e aceitavel esse texto ficará para o autor.

Mas voltando ao tópico, quantos de vocês já pararam para pensar nisso? Ou melhor, quantos de vocês tem criações que os aguardam pacientemente, para que finalmente concluam suas histórias?

Fica ai esse pequeno pensamentos para vocês e até o proximo post.

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