Uno Loop

Comece uma vida.

Três, dois, um.

Comece um loop.

Três, dois, um. Três, dois, um.

Desperdice sua vida.

Três, dois, um. Três, dois, um. Três, dois, um.

Eis aqui o grande mistério da felicidade.

Surge um herdeiro, mas que herança ele recebe?

Três, dois, um.

Pois ele começa sua vida.

Três, dois, um. Três, dois, um.

E então ele começa o loop.

Três, dois, um. Três, dois, um. Três, dois, um.

E ele desperdiça sua vida.

Aqui reside a maravilha oculta da felicidade.

Surge um filho, mas o que aprende dos pais?

Três, dois, um.

O filho vive sua vida.

Três, dois, um. Três, dois, um.

E encontra o loop.

Três, dois, um. Três, dois, um. Três, dois, um.

Sua vida é desperdiçada.

Aparece o incrível momento de felicidade.

Surge uma prole, mas o que ele recebe do criador?

Três, dois, um.

E a prole começa sua vida.

Três, dois, um. Três, dois, um.

E quando chega no loop.

Três, dois, um. Três, dois, um. Três, dois, quatro.

Loop?

Quatro?

Onde se encaixa?

A prole se perde, sentia que estava no caminho certo.

Três, dois, um. Três, dois, um. Três, dois, um.

E desperdiça sua vida.

Ocorre, entretanto, a magnífica instancia da felicidade.

Surge uma progênie, mas o que ela conhece do seu antecessor?

Quatro.

Me Leia!

Me leia, pois enquanto você me lê, você não só me conhece, como também se conhece.

Somos, eu e você, parceiros nesse caminho. Estamos juntos, aqui e agora, para chegar a um ponto. Depois do ponto final, do ultimo ponto final, nossos caminhos vão se separar, mas você sempre vai carregar uma parte de mim com você, e estaremos juntos para o que der e vier. E você sabe que sempre vai poder voltar o caminho e relembrar o que passamos.

É, foram bons momentos falando nisso, momentos de alegria de tristeza, de fantasia e realidade. Mas, ei! Ainda estamos aqui, vamos aproveitar o tempo juntos, afinal, para recordar do passado só precisamos voltar algumas paginas, alguns capítulos e estaremos lá, naquele momento, para podermos revivê-lo e sentir novamente aquela sensação.

Me leia, porque eu sou como você, ser humano, feito de células, feito de carbono. Tenho sentimentos e uma alma, assim como você, a nossa diferença é que foram os meus dedos que escreveram isso, mas isso é uma parte sua, uma parte de você. Assim como uma parte de mim.

De todos nós.

Seja quando estivemos naquele carro, nós dois a alta velocidade, seja quando estivemos sobre aquele prédio, ou dentro daquele outro carro, nos sentindo apenas uma maquina. Lembra quando éramos soldados em uma guerra? Da luz da lua? Da canção que cantamos após anos? Lembra da redenção? Da esperança? Ou quando estávamos acompanhando a vida daquele rapaz, sua solidão, seus amigos e seus sentimentos… Ah, tantos momentos que passamos juntos…

Espere, não passamos?

Mas então passaremos, não se acanhe, comece a ler. Me leia! O Google sabe muito sobre mim, ele e eu também já passamos muito tempo juntos, olha, esse rapaz, esse tal de Google, ele sabe onde está tudo! Como pode? Ele nasceu com esse dom, se você precisa de alguma coisa, ele te mostra. Diz meu nome pra ele, Demetrios Miculis, ele vai te dizer bastante sobre mim, até onde me encontrar.

Ai então, como tantas outras pessoas, vamos estar em carros, guerras, em pensamentos e sonhos. Vamos lá, ver a vida de outros ângulos ou de ângulo algum, vamos só reclamar dela, que tal? Para que procurar mais longe se já estamos aqui? A vida está uma droga? Ah, que se dane! Vamos dar uma escapada, sonhar um pouco, fantasiar! Vamos ser felizes e depois voltarmos para a realidade. Se o clima estiver ruim demais, vamos extravasar! Vamos reclamar dessa vida, rir e chorar, gritar e chutar! Vamos quebrar tudo e reconstruir, o que nos impede?

Então, me leia!

Mesmo que já me conheça, me leia para se lembrar de como era quando estávamos juntos. Se não me conhece, leia para me conhecer.

Quem me conhece sabe, que me conhecendo, conhece também uma parte de si mesmo.

Acho que isso vale para qualquer pessoa, conhecendo os outros, nos conhecemos.

Mas que seja, me leia!

A vida através do para-brisa.

Gosto de dirigir, ver a vida através do pára-brisa. Na verdade, adoro ver a vida através do pára-brisa, coisas se movendo ao redor, a vibração do carro, o céu, a cidade… Não adoro meu carro, afinal, poucas pessoas podem gostar de um Gol 88 velho e gasto, mas gosto da sensação de dirigir, de estar ali.

Gosto porque deixo de ser quem eu sou, passo a ser um carro. Apenas mais um, sem esse compromisso de ser alguém, sem ter que se preocupar com a vida. Um carro é apenas um carro, ele tem que sair de um lugar e chegar no outro, e dento de um carro, me sinto como ele. Meus pensamentos que sempre me agoniam, me sufocam e me torturam, cessam. Eu posso deixar minha mente silenciada por alguns instantes, enquanto me concentro em dirigir. Na verdade, é bem melhor estar dentro do que fora.

Em todos os sentidos, é claro, é melhor estar dentro do que fora. Espere, é melhor estar fora de um forno acesso, mas você captou a idéia. É bom estar lá, mesmo que meu carro seja fedido, velho, sujo, ruim, péssima aceleração, motor a álcool que mal funciona e mais uma série de defeitos. Pelo menos quando saio do trabalho e entro no carro, esqueço que sou um garçom mal pago, que sou um pseudo-escritor, que me mato de preocupação por tudo que acontece ao meu redor e pelos meus problemas virtuais, que não sou nada do que mostro, que não sou nada alem de mais uma pessoa perdida no mundo, sem saber pra onde ir, sem saber como chegar lá.

Por isso eu gosto de ver o mundo através do pára-brisa, a cidade verde de tantas arvores, tanto mato, tantos terrenos sem nada, tanto vazio. Tantas pessoas vivendo suas vidas, tentando sobreviver a esse martírio que é a rotina, lutando para alimentar seus filhos, para que suas famílias continuem unidas, para que nada saia dos trilhos. E eu? Eu nem me importo, eu sou um carro naquele momento, apenas um carro querendo sair de um ponto e chegar ao outro. Não sonho, não tenho pesadelos, não sou feliz nem sofro, sou apenas um carro.

Um carro hipócrita. Um carro que nem sabe que é mesmo um carro.

Um carro escritor, um carro perdedor…

Mas, é ótimo a vista daqui.

Onde está a resposta?

Lei da Causa e Efeito, Carma, para toda ação existe uma reação.

A espera pelas respostas, as perguntas que borbulham em um mar fervente.

A vontade de fugir dali, correr dessa área onde as perguntas se formam.

Onde estão as respostas?

É dito que estão no silencio, é dito que devemos esperar.

Mas até quando?

Mundos inteiros, outros lugares, pessoas, existências.

Até quando nos questionamos?

Até quando nós aguardamos pela resposta?

Quem nos da? Quem nos manda esperar?

Um ciclo vicioso, uma pergunta jogada ao vento.

Uma resposta dada pelas coincidências.

Rede de sinais, pequenos detalhes, percebidos pela mente atenta.

Mente que borbulha em pensamentos.

Como ficar atento enquanto as perguntas nos tira a atenção?

Mente que borbulha em preocupações.

Onde está o foco?

Caio. Um buraco negro, sem som, sem fim, sem nada.

Sem respostas.

Me dizem para esperar.

Até quando?

Um outro mundo? Uma outra existência? Onde?

Quando?

Porque?

Então a queda é certa, sem parede, sem chão, apenas o nada.

Não vejo uma resposta aqui.

Não vejo uma resposta.

Não vejo nada.

Até quando?

Empresa Planeta Terra

Trabalhadores se reuniram para discutir seus serviços, em uma grande empresa chamada Planeta Terra. Todos eles faziam parte de uma área da empresa chamada Sociedade. Essa era a parte que cuidava dos assuntos humanos.

Ao dividir os cargos, vários se revoltaram, o orgulho e a dignidade em seus egos gritaram furiosamente. O dono da empresa, já cansado de tanta reclamação, disse:

“Querem trabalhar do que bem entenderem? Fiquem a vontade, organizem-se.”

Nesse instante brotaram milhares de chefes e gerentes, mais um bocado de lideres e consultores. Depois, advogados, médicos e doutores no geral. Então, esportistas, atletas, jogadores dos mais variados. Todos gostaram da idéia, alguns doutores viraram esportistas e outros que ainda não haviam decidido também escolheram esse ramo. Surgiram então os cientistas, químicos, físicos e matemáticos, surgiram os professores, educadores e sábios. Então os artistas, escritores, músicos, pintores, fotógrafos… Atores, figurantes e tudo mais. Nesse meio tempo, alguns escolheram ser os engenheiros, construir as coisas, as casas, prédios e construções. Ai vieram os administradores, decididos a cuidar de pequenos detalhes, decididos a gerenciar e organizar o que os outros estavam deixando passar.

Veio a fome e com ela, os amantes da natureza e apenas esses, decidiram plantar, colher e cuidar de animais. Com essa iniciativa, mais chefes surgiram, mais pessoas sentadas assistindo as outras trabalharem.

E então…

Então a Empresa Planeta Terra se encheu de lixo, e alguém precisava cuidar dessa parte. Precisavam de pessoas para limpar a empresa, e ninguém levantou a mão.

Ninguem queria limpar a sujeira dos outros, ninguém queria juntar o lixo.

Então um levantou a mão, engolindo o ego e se enchendo de humildade, decidiu que para o bem de todos, alguém deveria estar ali. Então, alguns outros também ergueram suas mãos, tocados pela nobreza desse homem.

De repente, os da ponta da pirâmide perceberam; “o mais baixo é de nós um dos mais nobres, pois sem eles, estaríamos nadando em lixo”.

Mas ainda assim, não desceram de seus tronos, e continuaram com seus ponto de vista, os olhando de cima, enquanto eles embaixo apenas faziam seu serviço.

E assim a empresa Planeta Terra continua seus esforços, com cada vez menos funcionários…

Nada.

Nada, é assim que minha mente está.

Cheia de coisas, nenhuma aproveitavel.

Grande escritor.

O Perdão do Imperdoavel

Quando eu recebi a mensagem de um garoto ofegante, maltrapilho, que correu a vila toda para me alcançar, apenas juntei minhas coisas e fui correndo ate a casa de minha irmã. A inquisição estaria lá a qualquer momento e, com as coisas e os boatos que circundavam minha querida irmã, ela seria condenada a fogueira, sem duvida. Ao chegar lá, vi um pequeno rapaz, com o brasão dos inquisidores, segurando a corda de três cavalos. Meu coração se encheu de fúria mas, desde do momento em que minha irmã começou a me ensinar os conceitos de Deus, me tornei uma pessoa mais calma e controlada.

Entretanto, ao chegar a porta, saquei a espada e entrei gritando. Um velho barrigudo e estuprador estava vestido uma manta vermelha, também com o emblema dos inquisidores, em pé em frente a minha irmã amarrada, enquanto outros dois vasculhavam a casa. Ergui minha espada, vi o desespero nos olhos daquele gordo, mas minha irmã disse “não” com o olhar, ainda no mesmo contato visual, perguntei porque e ela me disse que eu não merecia o carma daquela morte, que a justiça iria prevalecer. Baixei então minha espada.

Ela não estava com medo de eu me machucar, pois conhecia muito bem minha habilidade com a arma, mas ela escolheu o outro caminho. Sempre foi uma pessoa muito bondosa, carinhosa, estudiosa… Conhecia segredos do céu e da terra, da natureza, da química e da matemática. Conversava com entidades que os olhos não treinados eram incapazes de enxergar, ajudava essas entidades… Minha irmã era uma peça de ouro em tanto latão. E naquele momento, rodeada de pedaços do carvão vestidos de vermelho, era que seu dourado brilhava ainda mais.

Um deles achou a obra prima da minha amada, um anel feito de um mineral condensado, banhado com ervas. Era só colocar no dedo e a harmonia de seu corpo voltava a ser restaurada… Curava doenças… Melhorava o humor, o funcionamento do corpo… Mas eles preferiram jogar no chão, como se fosse um pedaço de lixo qualquer e pisar em cima, com um sorriso maléfico no rosto.

Logo após me renderam e me ajoelharam, como cúmplice de pactos com o diabo. Pois bem lhe digo, diabo é uma criação desses malditos, como desculpa para poderem sair matando o conhecimento e propagando a ignorância entre os povos. Fazendo um reinado na base do medo, da veneração cega, do fanatismo…

Por toda sua bondade, seu amor, seu conhecimento, minha irmã iria ser estuprada, seus bens valiosos confiscados e o resto queimado em nome de Deus, o pior de tudo, ela também iria para fogueira e morreria como bruxa. Por um ultimo momento ela me olhou e, novamente com o olhar, ela me disse “Não me importo em morrer como bruxa, renascerei como cientista. Não se importe em morrer como meu irmão, você renascera como meu amante.” Olhei sem entender e logo após, senti o frio da lamina da espada maldita entrando em minha garganta, logo após o calor do sangue escorrendo pelo pescoço e pela roupa. Vi, dos olhos da minha irmã, brotarem lagrimas simples e contidas, como se não quisesse dar o prazer a eles de ver que ela sofria.

O que mais me deixava incapaz naquele momento de morte não era o ferimento, mas o desejo que não compreendia de minha irmã. Eu sabia que iria vê-la após a morte, que iria renascer no mesmo ano que ela, mas… Eu não aceitava que ela se entregasse tão facilmente aqueles porcos. Perola… Uma perola atirada aos porcos…

Após nossa morte, em uma gigantesca floresta, dentro de uma clareira, ela me explicou o motivo de seu desejo. Queria que morrêssemos limpos, sem o pecado da morte em nossas mãos, sem o rancor, a raiva e que apenas o perdão transbordasse em nossos corações. De principio não perdoei a ignorância dessas pessoas, o desejo de controle do estado, a ganância, a destruição e difamação em nome de Deus… Mas depois, quando comecei a compreender mais, na medida que ela me explicava, tive pena deles, dó… Os perdoei… Sabia que a Divina Providencia faria que eles pagassem por cada pecado na vida passada, sabia também que nós seriamos recompensados por nosso amor, compaixão e perdão…

Então eu lhes digo, em forma de palavras. Aqueles que antes foram assassinos do conhecimento, algozes da verdade, propagadores da ignorância e destruidores da verdadeira alquimia, eu os perdôo.

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Esse pequeno conto foi escrito a muito tempo atrás, nem me lembro quando, mas acho interessante compartilhar esse escrito com vocês leitores.

Abraços e até o proximo post.

Estrelas

Existem estrelas no céu, as admiro na noite escura.

Durante as horas negras é que podemos notar seu brilho.

Varias estrelas juntas compõe uma constelação. Mas todas elas chamam nossa atenção. Estando sozinhas ou juntas, compondo um grupo ou permanecendo como está.

Todas brilham, algumas mais que as outras, outras tão pouco que mal as vemos, outras tanto que ofuscam outras estrelas, mas todas brilham, de uma forma ou de outra.

Entretanto, uma estrela como o Sol tem em seu sistema um planeta chamado Terra, no qual existem pessoas capazes de ser e ter, capazes de amar, de se relacionar, de produzir belezas e maravilhas.

Há estrelas gigantescas, milhares de vezes maior que o sol, cujo brilho é tão forte, que seu calor não suportaria a vida ao redor. Que seu sistema é composto de planetas áridos e estéreis, sem pessoas capazes de criar e sentir, sem nem mesmo vida.

Então, não me deixo enganar pelo seu brilho, e admiro todas, sem preconceito.

Eu e você, todos nós, somos todos estrelas.

Personificae, nova capa, novo preço.

Andei trabalhando em uma nova capa para o livro, que eu achei bem melhor, agora que pude personalizar toda a capa e não só um quadrado central. E com a nova capa veio o novo preço. O que antes era 43, agora é só 39 reais^^;

E ainda tem mais, agora ele está disponivel por outro link, outra loja:

http://agbook.com.br/book/9038–Personificae

Já que o preço é o mesmo, eu peço que tenham preferência pelo Clube de Autores, já que eu só vou poder pegar a grana quando chegar a certo montante.

http://clubedeautores.com.br/book/4688–Personificae